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Sua história, nossa história – Ed. Julho – Therezinha Pellicciari

Aos 21 anos, Maria Therezinha Pellicciari se mudou para Jundiaí. A data, 1º de agosto de 1961, ela nunca esqueceu. Pudera. Daquele dia em diante, Therezinha iniciou uma nova vida. Na cidade conheceu o marido Miguel e com ele formou uma família com três filhas: Fabiana, Silvia e Ângela; e quatro netos, Bruno, Nina, Mana e Stella. “Eu quero ser bisavó. Já cobrei meu neto que eu quero uma bisneta”, reforça. Como tudo isso aconteceu a gente conta um pouquinho nesse bate-papo.

REVISTA CLUBE: A senhora está pronta para a entrevista?
MARIA THEREZINHA PELLICCIARI: Senhora é sua avó, me chame de você (risos).

RC: Ok, vamos começar pela sua chegada em Jundiaí.
THEREZINHA: Eu nasci em Ribeirão Preto, cresci na cidade de Casa Branca e aos 21 anos me mudei para Jundiaí. Foi no dia 1º de agosto de 1961.

RC: Lembrou até a data!
THEREZINHA: Sim, minha memória é ótima! (risos)

RC: Qual foi o motivo dessa mudança?
THEREZINHA: Meu pai trabalhava com seguros e foi transferido de lá para cá. Eu não queria vir para cá de jeito nenhum. Meu pai, meus irmãos e minha mãe, acredito que eles vieram em abril e eu fiquei morando sozinha na casa que eu tinha lá.

RC: Por que não queria?
THEREZINHA: A mãe das minhas amigas eram minhas tias, a minha mãe era tia delas. Era uma família muito boa, amigos que eu carrego até hoje. Eu sempre acrescento amigos na minha vida. No final tudo deu certo.

RC: E como foram os primeiros dias em Jundiaí?
THEREZINHA: Eu conheci o Rubens, meu futuro cunhado. Ele me apresentou para o Hélio, que coordenava o vôlei no ginásio de esportes. Na mesma semana eu comecei a treinar lá no ginásio, era para a seleção da cidade.

RC: Como foi essa experiência?
THEREZINHA: No ginásio, um dia estávamos esperando para treinar. O Miguel, hoje meu marido, estava lá. Eu estava sentada na cativa e ele sentado do outro lado, bem em cima, e vi ele descendo. Mas ele estava interessado em outra moça. Eu lembro até a roupa que ele usava. Fiquei encantada. Tive amor à primeira vista.

RC: E como vocês se aproximaram?
THEREZINHA: Tinha um baile que chamava Raquete. Um garoto que jogava em Franca quis conhecer minha amiga Maria Helena, e falou para o Miguel (que era tímido) vir ficar comigo para ele ficar com a minha amiga. Ele veio, sentou-se ao meu lado, conversamos, mas ele nem ligou para mim. Mas depois disso começou a prestar atenção em mim. Eu já estava super na dele. Começamos a namorar em 1962, no Clube Jundiaiense, naquela coisa linda da sede central.

RC: O apelido de pé de valsa começou nessa época?
THEREZINHA: Não, eu não sei como foi. Ele falou para mim que entrou na aula de dança porque pisava muito no meu pé. Mentira, foi porque eu o levava. Ele entrou na aula de dança em um lugar muito bom. Eu não gosto muito de Forró, eu gosto de Foxtrot, Samba Canção, Bolero. É muito bom.

RC: Nessas aulas de dança, você tinha ciúmes quando ele dançava com outra pessoa?
THEREZINHA: Ah, no começo eu tinha, mas depois a gente começa a descobrir que é besteira. Na aula de dança, eles dançam com todos, né? Não pode dançar com uma pessoa só. Ele é o amor da minha vida.

RC: Quais lembranças você tem do Clube?
THEREZINHA: Da Noite Italiana, do Baile da Raquete, o dia do aniversário do Clube. Uma vez teve um baile, deve ter sido no aniversário do Clube, que veio uma orquestra de Jaboticabal, e eu adoro sax. É maravilhosa para dançar a noite inteira. E tem duas moças que tocam um sax que você para em frente e aplaude.
Eu me levantei, fui na frente e fiquei aplaudindo. O maestro me pegou pela mão, me levou em frente a orquestra. Todos ficaram em pé e me saudaram. Isso até hoje me emociona. É uma coisa muito bonita, inesquecível. Acho que foi nos anos 2000. Tenho muitas outras lembranças.

RC: Quais?
THEREZINHA: Olha, quando tinha Baile de Carnaval no centro, era sábado, domingo, segunda e terça. Na terça-feira era um espetáculo. Era na sede central, a de campo não existia ainda. Muita gente se fantasiava, eu também. Era uma delícia.
Teve um baile logo que me mudei, tinha uma amiga que chamava Maria Lúcia e que parecia “arroz de festa”, igual eu era na outra cidade (risos). Ela veio falar comigo se eu não queria ser candidata à Glamour Girl, e eu fiquei sem jeito de falar não e topei. Mas tinha que vender coisa, tipo ticket. E a gente tinha que sair com as mulheres do Clube da Lady para vender. Bom, chegou no dia do baile, e meu pai não tinha um smoking. Ele era muito elegante, tinha um terno risca de giz maravilhoso. Na hora que subimos no palco para dançar a valsa, perguntaram por que ele não estava de smoking. Eu falei que ele tava muito mais bonito que todos os outros parecendo um pinguim. Dancei com meu pai assim mesmo.

RC: Vocês tinham de sair para vender?
THEREZINHA: Sim, vender votos. Passava no centro da cidade e vendia votos. E quem vendesse mais seria a rainha.

RC: E foi você?
THEREZINHA: Não, eu fiquei em segundo lugar. Quem ganhou foi a Sueli. Anos depois, teve um baile que fizeram e a Sueli foi com o vestido, a coroa e a faixa. Estava tão bonitinha, achei legal que ela guardou. Foi uma turma muito marcante, em 1962, 63.

RC: E quanto às bodas de ouro?
THEREZINHA: Eu queria fazer na sede central. Foi lá que comecei, tudo da minha vida se passou dentro do Clube e eu queria lá. Eu aluguei a sede central. Fui ao Clube um ano antes para marcar um dia. Então recebi um presente do Pacheco, o presidente na época. Quando eu fui pagar, ele me fez a metade do preço. Aí fiquei sabendo que eu tinha de pagar mesa e cadeira. Ele me deu todas as mesas que eu precisava e não me cobrou nada.
Ah, deixa eu te contar. Quando fico com a adrenalina muito alta, tenho a sensação de que estou a um palmo do chão. Eu descobri isso no casamento da minha filha. Eu esqueci disso e fiquei assim na minha festa. Mas todo mundo amou de paixão. Eu dancei, fiz folia com meus netos. O Clube estava lindo. Enfeitei do meu jeito. Com flores de papel, enfeitei a parede. Chamei uma cerimonialista para me ajudar nessa parte. Eu quase não convidei por ninguém obrigação, viu?

RC: Teve o de 25 anos de casada?
THEREZINHA: Teve, fiz aqui na minha casa. No convite que minhas filhas fizeram colocamos que não queríamos presente, mas doação de cesta básica, e ganhamos várias para doar. Quando completei 50 anos de casada eu fiz isso de novo. Acredito que recebemos umas 80 cestas. Eram tantas que você não imagina. Tinha gente que mandava duas. Foi muito bom. Mas tem um detalhe: eu não quero levar crédito, não precisa anotar o nome.

RC: Para finalizar: essa pandemia te deixou com saúdes do Clube?
THEREZINHA O Clube é minha segunda casa. Aonde você vai, se sente bem e se sente em família é o quê? Sua casa né? É assim que me sinto.

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